quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
JORGE DA SILVA: UM LEGADO DA COMUNIDADE NEGRA BRASILEIRA, POR SANDRO CORREIA E IVALDO PAIXÃO
O
pós doutor em ciências sociais, antropólogo, professor universitário, advogado,
cientista político, ativista dos direitos humanos, ex-secretário de governo no
estado do Rio de Janeiro coronel da reserva PM-RJ Jorge da Silva faleceu nesse
15 de dezembro de 2020 aos 78 anos deixando um grande legado para toda a
sociedade brasileira, em especial, aos que lutam pelos direitos humanos.
A
sua história foi marcada, dentre outras causas, pelo combate ao racismo e
defesa das ditas “minorias” publicando vários artigos, como também livros,
dentre eles posso citar:“Violência e Racismo no Rio de Janeiro”, Direitos Civis
e Relações Raciais no Brasil, 120 Anos de Abolição, Guia de Luta Contra a
Intolerância Religiosa e o Racismo
No
ensino superior foi professor e coordenador do curso de Segurança Pública da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade Federal
Fluminense (UFF) foi docente do curso de mestrado em Direito e
professor-pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.
Essa
brilhante trajetória, contribuição intelectual e política vinda de um cidadão
negro em um país como o Brasil, é uma vitória, de um jovem guerreiro nascido e
criado no complexo de favelas do Morro do Alemão na cidade do Rio de Janeiro
que ingressou na polícia militar do estado do Rio de Janeiro aos 17 anos e
alcançou o cargo máximo dessa corporação como seu Chefe geral do estado maior.
Jorge
da Silva ocupou vários cargos de relevância como, diretor-presidente do Instituto
de Segurança Pública do Governo do Estado do Rio (ISP) e Secretário de Direitos
Humanos do Rio de Janeiro entre 2000 e 2002.
A
sua contribuição foi fundamental para o entendimento da relação entre direitos
humanos, população negra, violência e segurança pública com participações em
congressos e seminários, no Brasil e no exterior.
Toda
a sua experiência à frente de organizações políticas e órgãos públicos lhe fez
acumular um conjunto de conhecimentos que o credenciaram como uma autoridade
não só acadêmica em razão dos títulos, mas também de referância por seu
compromisso com a ética e dignidade humana.
O
agora saudoso coronel Jorge da Silva se juntou a nomes da grandeza e estirpe de
Edialeda Salgado Nascimento, senador Abdias do Nascimento, coronel Nazareth
Cerqueira, deputado Carlos Alberto Caó, Lélia Gonzalez, e demais guerreiros
(as) de uma geração de afro-brasileiros que pensaram, lutaram e dedicaram suas
vidas por um Brasil com justiça, igualdade racial e social.
Jorge
da Silva vive!
______________
Sandro Correia - Professor
universitário. Foi secretário de Reparação de Salvador. Foi um dos
idealizadores do curso oferecido pela FLB-AP “Políticas de Igualdade Racial”.
Membro da direção da Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT.
Ivaldo Paixão - Capitão de
Longo Curso. Foi Diretor da Fundação Cultural Palmares- Ministério da Cultura
e um dos idealizadores do curso oferecido pela FLB-AP “Políticas de
Igualdade Racial”. Presidente da Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT.
quarta-feira, 9 de setembro de 2020
André Figueiredo Propõe Divisão Proporcional Do Financiamento Eleitoral Entre Negros E Brancos
A proposta vai atualizar a aplicação dos recursos do Fundo Partidário, do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FECP) e da distribuição da propaganda eleitoral no rádio e na televisão por sexo, proporcionalmente entre as candidaturas de população negra e branca.
De acordo com André Figueiredo visa acompanhar a inovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que aprovou por 6 votos a 1 o financiamento proporcional a candidatos negros e brancos a partir de 2022.
Pelo do parlamentar, a aplicação dos recursos do Fundo Partidário, do FECP e da distribuição da propaganda eleitoral no rádio e na televisão devem respeitar o percentual mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas por sexo, repartidos proporcionalmente entre as candidaturas de população negra e branca.
Como um dos vice-presidentes do PDT Nacional, André Figueiredo destaca que a defesa do incentivo às candidaturas negras sempre foi uma bandeira levantada pelo partido. “Esta proporcionalidade nos recursos encoraja ainda mais a população negra aos mandatos. Precisamos nos unir para fortalecer o combate aos infelizes episódios de intolerância que ainda são vividos em todo o Brasil”, diz André.
Foto: PDT na Câmara
sexta-feira, 24 de julho de 2020
Representatividade Das Mulheres Em Destaque Na Live Do Movimento Negro
25 de julho. Simbolismo de luta a partir dos dias nacionais da Mulher Negra e de Tereza de Benguela, a líder do Quilombo de Quariterê, território que, atualmente, corresponde ao Vale do Guaporé, no estado do Mato Grosso. Internacionalmente, é marcado pelo Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Para exaltar o momento e suas representantes, a Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT promoverá, neste sábado (25) a live “Delas!”, a partir das 16h, na sua página oficial no Facebook.O debate virtual terá as participações da secretária-geral do Movimento, Flávia Lima, das presidentes do movimento em Pernambuco, Mato Grosso do Sul e na capital paulista, Nega do Babado, Mestra Léa e Neudes Carvalho, respectivamente, bem como da vice-presidente do movimento no Amapá, Danniela Ramos, e da ex-secretária de Promoção Racial do Distrito Federal, Josefina Serra.
Homenagem
A organização pedetista promoverá, durante o ato, uma homenagem à militante Maria Soares, também conhecida por “Dona Santinha”, que completou 96 anos. Ativista social e ex-secretária nacional do Movimento Negro, a enfermeira mineira tem uma trajetória na defesa de direitos vinculados não somente à pauta racial, mas também de gênero.
Incentivadora do desenvolvimento educacional e econômico para as camadas populares, serve de inspiração por manter intensa sua disposição para acumular conhecimento. Aos 65 anos, após sua aposentadoria, concluiu o curso de direito, sua segunda graduação.
Na política, participou do movimento sindical e, em 1989, contribuiu para a criação da Frente Negra em apoio à candidatura de Leonel Brizola a presidente da República. E, aos 72 anos, concluiu sua segunda graduação.
Acesse e participe: facebook.com/snmnpdt.
sexta-feira, 28 de julho de 2017
quinta-feira, 27 de julho de 2017
segunda-feira, 20 de março de 2017
Ivaldo Paixão é reeleito presidente do Movimento Negro PDT
O Movimento Negro do PDT reelegeu seu presidente por aclamação, em Congresso realizado durante a tarde e a noite da última sexta-feira (17), no Hotel Nacional, em Brasília.
DIRETORIA EXECUTIVA
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Quilombos – Passado, Presente e Futuro, por Ivaldo Paixão.
Outra definição aceita pelo movimento negro, diz que é uma organização econômica, social e política criada pelos escravos brasileiros para lutar contra a escravidão, resistindo às tentativas de reescravizá-los, atacando povoados ,engenhos Etc… . A história registra o ano de 1559 como a primeira revolta e fuga de cativos, o que contraria a versão criada de que o negro escravizado aceitou com resignação o cativeiro, sendo que os quilombos como forma de luta e resistência contra a escravidão devem ser considerados uma criação original do negro escravizado no Brasil. Os quilombos também eram denominados de mocambos(que se origina de mukambu e em quimbundo significa telhado de palha) durante todo o tempo de escravidão, foi uma constante a proliferação de quilombos, sendo que o maior e mais importante foi o Quilombo de Palmares.
A Lei da Terra promulgada pelo Império em 1850 proibia que os descendentes de quilombolas assumissem a posse das áreas onde viviam.Só em 1988 a Constituição revogou a proibição, tornando responsabilidade da União assegurar a posse da terra aos remanescentes de quilombolas.Porém ,só em 1999 o dispositivo constitucional foi regulamentado. O artigo 215 parágrafo 1 da Constituição Federal diz: “ O Estado deverá proteger as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional” e no seu parágrafo 5° inciso “V” “Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos”. O Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”.Decreto n° 4887 de 20/11/2003: “ Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades do quilombo de que trata o Art.68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. Decreto 5051/2004 “O Brasil se compromete a executar e cumprir a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho-OIT sobre povos indígenas e tribais”. Portaria n°6 de 01 de março de 2004 da Fundação Cultural Palmares que institui o cadastro geral de remanescentes das comunidades de quilombos, nomeando-as de :”Terra de Preto”, “Mocambos”, “ Comunidades Negras” e “ Quilombos”. Atendendo apelo dos movimentos sociais o Brasil ratificou em junho de 2002 através do Decreto Legislativo n°143 assinado pelo presidente do senado a Convenção 169 da OIT de junho de 1989, que reconhece como critério fundamental os elementos de auto-identificação étnica, além disso o Artigo 14 assevera o seguinte: “ Dever-se-á reconhecer aos povos interessados os direitos de propriedade e de posse sobre as terras que tradicionalmente ocupam”. Esse direito de retorno se estende sobre um sem número de situações de comunidades quilombolas no Maranhão, Mato Grosso, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, que foram compulsoriamente deslocadas de suas terras por projetos agro-pecuários, projetos de plantio de florestas homogêneas(Pinus, Eucalipto Etc…) projetos de mineração, projetos de construção de hidrelétricas e de bases militares e agora numa trajetória de recuperação de terras que foram usurpadas e tidas como perdidas. O PFL atual DEM entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade- ADIN tentando impugnar o uso de desapropriação na efetivação no Artigo 68, porém a Advocacia Geral da União através do Ministro Álvaro Augusto Ribeiro Costa, manisfestou-se contrária a ADIN em 12/08/2004 classificando a impugnação de ” genérica e sem o cotejo analítico entre as normas constitucionais e as atacadas”, o que inviabilizou a ação.
Remanescente de quilombo, segundo a Associação Brasileira de Antropologia: “ Contemporaneamente, o termo não se refere a resíduos ou resquícios arqueológicos de ocupação temporal ou da comprovação biológica,também não se trata de grupos isolados ou de uma população estritamente homogênea. Da mesma forma nem sempre foram constituídos a partir de movimentos insurrecionais ou rebelados, mas, sobretudo, consistem em grupos que desenvolveram práticas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida característicos num determinado lugar.Desse modo comunidades remanescentes de quilombo são grupos sociais cuja identidade étnica os distingue do restante da sociedade”.
A questão quilombola , através do Comitê Gestor, é coordenada pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial- SEPPIR, porém envolve 21 órgãos do governo federal.Apesar da forte cobrança de entidades que compõe o movimento negro entre as quais a Comissão Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas- CONAO, a titularização das 2228 áreas levantadas(quilombos) pelo centro de cartografia aplicada e informação geográfica da Universidade de Brasília caminham lentamente pois em 18 anos de vigência do artigo 68 da CF só foram tituladas 58 áreas, beneficiando 114 comunidades quilombolas, sendo que de Janeiro de 2003 a agosto de 2006, ou seja, em quase todo o governo Lula só foram tituladas três áreas de terras de comunidades remanescentes de quilombos.O programa Brasil Quilombola só utilizou no biênio 2004/2006 32,38% da verba orçada,situação que tende a repetir-se pois até junho de 2007 apenas 6,39% do orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para o presente ano foi usado.Em face desta situação é que o movimento negro está lutando pela criação junto à AGU, da Comissão de Assuntos dos Remanescentes de Quilombo.É bom lembrar que a primeira titularização ocorreu em 1995 no município de Oriximiná no estado do Pará e beneficiou a comunidade quilombola de Boa Vista. Os governos estaduais só querem titularizar áreas onde não existam conflitos e o governo Lula lamentavelmente se posiciona também desta maneira, entretanto entidades e pessoas cujos interesses são contrários ao reconhecimento e à titulação das comunidades quilombolas tiveram uma atuação ágil, tanto dentro quanto fora da burocracia governamental. Temos ainda o problema dos quilombos urbanos que são vítimas da especulação imobiliária e de autoridades descomprometidas com a causa quilombola, até mesmo por racismo. Acrescente-se a isso tudo que há em alguns setores da sociedade um certo revigoramento de uma antiga idéia do Estado- Nação que olha com desconfiança os direitos étnicos, como se constituíssem uma ameaça a segurança nacional. A ampliação do projeto Calha Norte e as posições nacionalistas face ao aluguel de base de Alcântara e a homologação /demarcação das terras indígenas na serra da Raposa do Sol fez ampliar este temor, porém sabemos e a história nos ensina que as diversas comunidades negras foram e são agentes de integração nacional, inclusive segundo o nosso saudoso Darci Ribeiro, na consolidação do idioma português em nosso imenso território. Finalmente, é notório, que os quilombolas ajudam a preservar o meio ambiente, devido a intimidade com a terra e o compromisso com seus ancestrais.
*Capitão de Longo Curso












